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Caim.

O peito aperta
acerto,
um arco e flecha
aqui
do lado esquerdo
batendo,
já não bate
parado,
atônito
atordoadas batidas
todas descompassadas
acelero,
e chego antes
depois de um tempo ruim
acolho as palavras
jogadas,
que regam o chão
molhado,
nostalgia sem fim,
amargo
gosto
Caim
O desperdício
da atmosfera
que me invade,
O silêncio ...
Dentro de mim
ecoa o som
o som ecoa dentro de mim
Caim.

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Poema: O jogador

3 poemas de Age de Carvalho

1. 37
"Sou sempre
e novamente: todo dia.

"Acumulando destino",
diz o amigo-ego
repetindo Guillén.

Ninguém-eu
comigo íntimo,
a imagem do mundo."

2. Uma fotografia

"Acena ao mundo: estás só na turba,
      na turba
                 transmudado -
e vives: aqui


te encontro, a mão no teu sorriso sobre o retrato."
3.

"O PIER, a escada ferida de Deus
rumo às águas brilhantes:baixamos, arrivados ao Nenhum  o coração descalço - 
uma jura encravou-se na madeira, comemos sem culpa, floresceu a palavra esperança
entre lodo,           pedras fundas,      ferrugem."


-Age de Carvalho, in: Caveira 41. São Paulo:Cosac & Naify,2003. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2003. Coleção Às de colete.

Divagar [...]

Limites onde estão?
Seus olhos cansados, os ombros caídos
Correria, correria
Tudo em 60 minutos passa devagar
Passo a divagar o tempo corrido
Pelo conforto dos meus pés cansados
Que pisam o chão quente do contato
Dos pneus exaustos da economia
"Bii!-polaridade", ódio e azia
Da fumaça e do caos
Ao acaso de tudo que fazemos
Pra sobreviver
E de onde viemos
A sobreviver nem vivo
Respiro a cada pausa
De uma ligação
"Triim!-ta" segundos, talvez
um pouco mais
Um minuto por favor
Uma dose de amor aqui
"Chho-ve" lá fora
O silêncio do céu conforta
Cinco segundos de paisagem cinza
O chão reflete em cada poça
Pedaços do ritmo quebrado da vida
O ritmo quebrado da minha própria vida.