por Telma Moura.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sinapses

24h de corrente contínua
100 Watts – power off
Noite is Loading
Uploadando datas, planos
Menos horas pra dormir
Comida
Adiando planos
Every day
Sacrifício da vida
Medido em Dbm’s
Pra sobreviver

_Telma Moura

Árido

Tudo o que eu queria
É que houvesse palavras
e nas palavras respostas
Para os medos
e dúvidas justapostas
Posicionadas e intencionadas
a matar
Matar de silêncio
Como se morre calado?
Como se cala o trovão?
Arduamente árido
Como o chão seco
Do centro-oeste mineiro
Assim é o coração.

_Telma Moura

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

No fundo é isso que sou

Um Número
Um Caractere emperrado
Sofrendo a gravidade do tempo
No vazio episcopal do espaço


Na jaula
Fugindo da selva
e do resto dos animais
que se devoram, se matam


No fundo é isso
Abraçando o silêncio,
Senti o cheiro frio
Dessas paredes brancas
que me acolhe e me encolhe
E faz-me vítima de mim mesmo.

_Telma Moura

Tec-nojo-lia

A vida e seu passatempo
de brincar com a nossa sorte.
Meus dias ao relento,
inquietos aos olhos atentos
do refém - meu coração.
Sonhei um dia não mais tocar
estas lembranças que ferem.
Fechei os olhos -
imaginei tocar a superfície da sua alma
fria, flácida,
imóvel nessa cadeira giratória
massageei o peito para que pudesses respirar melhor
agora - sem a ajuda desses aparelhos
máquinas, roteadores, fibra ótica e outros meios.

_Telma Moura

Fé Mundana

Até quando viver de provas -
de que sou suficiente pra você
de que sou eficiente sem viver - pra mim
provando o tempo todo -
que sou tudo que não sou,
de aço.
Fantoches do sistema,
perdemos tempo demais na espera
de dias melhores
Dias piores estão nas manchetes dos jornais,
e nos esperam em casa todos os dias,
com o calor aconchegante do medo,
e a docura da incerteza do viver
em paz
Perdemos tempo demais, dinheiro demais,
perdemos vida demais.

_Telma Moura

Atmosfera do atópico

Cansada desse sonho
Vazio
inesgotável
Providência cabível-
não palpável
A sede que me seca
Que me enxuga dessas lágrimas
Meu forte é ser fraco.

_Telma Moura

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Silence

Calei-me,
dos processos mais reclusivos que já tive
Fechei-me
Para o mundo, para mim
Disse adeus
Mureta armada de concreto levantada
Sobre as palavras
As minhas, as nossas,
as suas amáveis palavras
Redimensionei no espaço os corpos
Alocados, cada qual em seu limítrofe espaço
Mureta armada de concreto levantada
Feri a dor
quis arrancá-la a força daqui
A fio de "batalha" - travada contra mim.