por Telma Moura.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

No fundo é isso que sou

Um Número
Um Caractere emperrado
Sofrendo a gravidade do tempo
No vazio episcopal do espaço


Na jaula
Fugindo da selva
e do resto dos animais
que se devoram, se matam


No fundo é isso
Abraçando o silêncio,
Senti o cheiro frio
Dessas paredes brancas
que me acolhe e me encolhe
E faz-me vítima de mim mesmo.

_Telma Moura

Tec-nojo-lia

A vida e seu passatempo
de brincar com a nossa sorte.
Meus dias ao relento,
inquietos aos olhos atentos
do refém - meu coração.
Sonhei um dia não mais tocar
estas lembranças que ferem.
Fechei os olhos -
imaginei tocar a superfície da sua alma
fria, flácida,
imóvel nessa cadeira giratória
massageei o peito para que pudesses respirar melhor
agora - sem a ajuda desses aparelhos
máquinas, roteadores, fibra ótica e outros meios.

_Telma Moura

Fé Mundana

Até quando viver de provas -
de que sou suficiente pra você
de que sou eficiente sem viver - pra mim
provando o tempo todo -
que sou tudo que não sou,
de aço.
Fantoches do sistema,
perdemos tempo demais na espera
de dias melhores
Dias piores estão nas manchetes dos jornais,
e nos esperam em casa todos os dias,
com o calor aconchegante do medo,
e a docura da incerteza do viver
em paz
Perdemos tempo demais, dinheiro demais,
perdemos vida demais.

_Telma Moura

Atmosfera do atópico

Cansada desse sonho
Vazio
inesgotável
Providência cabível-
não palpável
A sede que me seca
Que me enxuga dessas lágrimas
Meu forte é ser fraco.

_Telma Moura