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Fé Mundana

Até quando viver de provas -
de que sou suficiente pra você
de que sou eficiente sem viver - pra mim
provando o tempo todo -
que sou tudo que não sou,
de aço.
Fantoches do sistema,
perdemos tempo demais na espera
de dias melhores
Dias piores estão nas manchetes dos jornais,
e nos esperam em casa todos os dias,
com o calor aconchegante do medo,
e a docura da incerteza do viver
em paz
Perdemos tempo demais, dinheiro demais,
perdemos vida demais.

_Telma Moura

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A FLÂNERIE POLONESA

O blog passará a ser utilizado como forma de apresentar a poesia que circula por aí, ou que não circula. A ideia é fazer um diálogo entre poetas e suas poesias, bem como o conhecimento de suas obras, a forma como cada um talha na palavra a sua obra. 
Timidamente quero começar a pensar de que forma a poética de Wislawa Szymborska (1923- 2012) encontra um ponto de contato na poesia de Czeslaw Milosz (1911-2004), dois poetas poloneses. 

| DESCRIÇÃO DE SI MESMO JUNTO A UM COPO DE WHISKY NO AEROPORTO, DIGAMOS EM MINNEAPOLIS | 
Meus ouvidos ouvem cada vez menos das conversas, meus olhos vão ficando mais fracos, mas não se fartaram. Vejo suas pernas em minissaias, em calças compridas ou tecidos voláteis, Observo uma a uma, suas bundas e coxas, pensativo, acalentado por sonhos pornô. Velho depravado, é a cova que te espera, não os jogos e folguedos da juventude. Não é verdade, faço apenas o que sempre fiz, compondo cenas dessa terra sob as ordens de uma imaginação erótica. Não desejo a estas criatur…

3 poemas de Age de Carvalho

1. 37
"Sou sempre
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repetindo Guillén.

Ninguém-eu
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2. Uma fotografia

"Acena ao mundo: estás só na turba,
      na turba
                 transmudado -
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3.

"O PIER, a escada ferida de Deus
rumo às águas brilhantes:baixamos, arrivados ao Nenhum  o coração descalço - 
uma jura encravou-se na madeira, comemos sem culpa, floresceu a palavra esperança
entre lodo,           pedras fundas,      ferrugem."


-Age de Carvalho, in: Caveira 41. São Paulo:Cosac & Naify,2003. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2003. Coleção Às de colete.

Poema: A CALL CENTER IN SÃO JOÃO DEL-REI

quero falar sobre este lugar sobre o teto que me acolhe
há tanto tempo
das coisas que não vejo
enquanto a vida acontece lá fora
enquanto o sol acorda
e te aquece e assim como hoje
lá fora a partir das 18h anoitece
quero te contar
dos dias que engolem
minha juventude nessa cadeira
giratória beirando abismos e mais abismos
sob um teto frágil que nunca cai
quero falar da
vida que passa e
eu não vejo
enquanto o tumulto sufoca o seu caminhar
então existe uma janela que
acolhe meus sonhos e uma montanha se reflete nos
vidros de uma estrutura arquitetônica colossal
quero entender o
seu estar aí do lado de fora se
rapidamente
eu fechar os olhos por alguns segundos
quero imaginar o movimento do dia
a cor da vida se
por um acaso
alguém abrir essa porta.