por Telma Moura.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Volátil

O nada no meio do nada
Às vezes a trombeta anunciativa do anjo
Às vezes o chão.
Entre buzinas, burburinho e multidão
O rachar do asfalto, os corredores
Entre a guerra de despertadores.


O ganhar e o perder
De cada dia nos dai hoje,
A sabedoria para entender o homem.
Entre o preço justo, e o salário
Quanto custa a dignidade?


Entre a busca infinita por aquilo que não existe,
Não existirá.
Pelas causas perdidas,
Por amor, pela paz
Pela chuva não ácida.
Pela transparência das relações humanas
Por humanidade.
Trajando saudade, calcei a sensibilidade e caminhei por ai a sinalizar:
-“Não sou máquina!”


Pelo mundo esse olhar é uma janela
O que olho são fotos de um fotógrafo de guerra
O que sinto se parece com o que sente aquele homem
Que dorme ali no chão.
O mundo é o projeto quase inacabado da destruição
Os arquitetos somos nós.
A tristeza anunciada segue rasgando multidões
O fluxo contínuo da desigualdade,
A chinela nordestina rachada,
A cheia atropelando plantações
A loucura climatempo associada
Aos distúrbios psicoproblemáticos da população.


O consumo sem limite do vazio e descartável
A engrenagem seca gira devagar
Triturando o frágil cérebro da população
A engrenagem seca, gira com dificuldades, sem parar


Jogando baldes de água fria
Nos sonhos desesperados
De quem nunca tem nada – nada pra perder
Nunca (temos-somos) nada. Nada de mais.
Te prometo o sol, e o céu azul
40 graus parece ótimo!
Debaixo da lua cantarolo canções
Enquanto construo castelos, nações.


Impérios se erguem pela diminuição potencial dos
Dias de vida dos cidadãos
E o que somos afinal,
Além de simples motor de funcionamento da vida?
O que somos além de máquina? O corpo recua:
Todos os dias encaro a vida como uma obrigação
-“Não sou máquina!” Mas tudo bem - seguimos o fluxo da produção.

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