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Mostrando postagens de 2017

3 poemas de Age de Carvalho

1. 37
"Sou sempre
e novamente: todo dia.

"Acumulando destino",
diz o amigo-ego
repetindo Guillén.

Ninguém-eu
comigo íntimo,
a imagem do mundo."

2. Uma fotografia

"Acena ao mundo: estás só na turba,
      na turba
                 transmudado -
e vives: aqui


te encontro, a mão no teu sorriso sobre o retrato."
3.

"O PIER, a escada ferida de Deus
rumo às águas brilhantes:baixamos, arrivados ao Nenhum  o coração descalço - 
uma jura encravou-se na madeira, comemos sem culpa, floresceu a palavra esperança
entre lodo,           pedras fundas,      ferrugem."


-Age de Carvalho, in: Caveira 41. São Paulo:Cosac & Naify,2003. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2003. Coleção Às de colete.

A FLÂNERIE POLONESA

O blog passará a ser utilizado como forma de apresentar a poesia que circula por aí, ou que não circula. A ideia é fazer um diálogo entre poetas e suas poesias, bem como o conhecimento de suas obras, a forma como cada um talha na palavra a sua obra. 
Timidamente quero começar a pensar de que forma a poética de Wislawa Szymborska (1923- 2012) encontra um ponto de contato na poesia de Czeslaw Milosz (1911-2004), dois poetas poloneses. 

| DESCRIÇÃO DE SI MESMO JUNTO A UM COPO DE WHISKY NO AEROPORTO, DIGAMOS EM MINNEAPOLIS | 
Meus ouvidos ouvem cada vez menos das conversas, meus olhos vão ficando mais fracos, mas não se fartaram. Vejo suas pernas em minissaias, em calças compridas ou tecidos voláteis, Observo uma a uma, suas bundas e coxas, pensativo, acalentado por sonhos pornô. Velho depravado, é a cova que te espera, não os jogos e folguedos da juventude. Não é verdade, faço apenas o que sempre fiz, compondo cenas dessa terra sob as ordens de uma imaginação erótica. Não desejo a estas criatur…