por Telma Moura.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

R.

(Para quem me deu a vida)

Antes
Brilho raro
Olhos e sorriso: um esplendor
Hoje
Ainda brilha
Mas em meu peito
Descompassadas batidas
Ao perceber a pronúncia
Das iniciais de teu nome,
Ao recordar-te aqui.
Seu raro dom,
A forma como te olho
E admiro-te para sempre
Mas em meus sonhos (...)
Um silêncio ensurdecedor.

domingo, 13 de abril de 2014

Constitucional

Art 1º da Constituição
Todo poder emana do povo
E todo equívoco também
Inconstitucional
A vida
Casas de adobe, sapê e papelão
Caixas de Tv LCD de última geração
para cobrir uma nação
A máquina da modernidade
Dissolve o mundo em partículas de decepção
Necessidades imediatas
Art 5º da Constituição
Todos são iguais perante a Lei
Que lei?
Constitucional – Alimentação
Inconstitucional
Restaurantes Populares
Instauram o império da precária alimentação
Constitucional mesmo só o direito de permanecer
Em silêncio!
Vamos lá, grite!
Seja o revolucionário da nação
Desafie o mundo em casa
Home Office de Aristóteles e Platão
Digite Digite Digite
Palavras à queima roupa
PA PA PA PA!
“Este conteúdo pode ter sido removido”
Ah, mundo ideal de se viver
Será?

_Telma Moura

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Volátil

O nada no meio do nada
Às vezes a trombeta anunciativa do anjo
Às vezes o chão.
Entre buzinas, burburinho e multidão
O rachar do asfalto, os corredores
Entre a guerra de despertadores.


O ganhar e o perder
De cada dia nos dai hoje,
A sabedoria para entender o homem.
Entre o preço justo, e o salário
Quanto custa a dignidade?


Entre a busca infinita por aquilo que não existe,
Não existirá.
Pelas causas perdidas,
Por amor, pela paz
Pela chuva não ácida.
Pela transparência das relações humanas
Por humanidade.
Trajando saudade, calcei a sensibilidade e caminhei por ai a sinalizar:
-“Não sou máquina!”


Pelo mundo esse olhar é uma janela
O que olho são fotos de um fotógrafo de guerra
O que sinto se parece com o que sente aquele homem
Que dorme ali no chão.
O mundo é o projeto quase inacabado da destruição
Os arquitetos somos nós.
A tristeza anunciada segue rasgando multidões
O fluxo contínuo da desigualdade,
A chinela nordestina rachada,
A cheia atropelando plantações
A loucura climatempo associada
Aos distúrbios psicoproblemáticos da população.


O consumo sem limite do vazio e descartável
A engrenagem seca gira devagar
Triturando o frágil cérebro da população
A engrenagem seca, gira com dificuldades, sem parar


Jogando baldes de água fria
Nos sonhos desesperados
De quem nunca tem nada – nada pra perder
Nunca (temos-somos) nada. Nada de mais.
Te prometo o sol, e o céu azul
40 graus parece ótimo!
Debaixo da lua cantarolo canções
Enquanto construo castelos, nações.


Impérios se erguem pela diminuição potencial dos
Dias de vida dos cidadãos
E o que somos afinal,
Além de simples motor de funcionamento da vida?
O que somos além de máquina? O corpo recua:
Todos os dias encaro a vida como uma obrigação
-“Não sou máquina!” Mas tudo bem - seguimos o fluxo da produção.